A empresa
WRONG BUSINESS

Durante o Expert 2019, evento realizado pela XP Investimentos no último ano, Jorge Paulo Lemann falou muito sobre sua trajetória, conquistas e fracassos ao longo de seus quase 80 anos de vida. Um dos maiores empresários brasileiros, sócio e fundador de grandes marcas como Banco Garantia, AB InBev, Lojas Americanas, São Carlos Empreendimentos, entre outras, normalmente tem sua imagem associada ao sucesso. Lemann, no entanto, deixa bem claro que para ter acertado, foi preciso errar muitas vezes, não exatamente por falta de conhecimento ou competência, mas por diversos fatores como variações da economia, mudanças de governo, estratégias erradas e até apostas em produtos que acabaram não, digamos, funcionando.

Longe de ser uma especialidade dos grupos conduzidos por Jorge Paulo Lemann, o fracasso está presente na vida dos executivos, faz parte do processo e arriscar é do jogo. Quem não bota a mão no fogo, não cresce ou quebra, por falta de inovação ou flexibilidade de mercado. Do novo ao velho, para errar não se tem idade. Conhecimento gera experiência, mas o mundo gira e as mudanças trazem novos desafios. Se com 26 anos Lemann errou e quebrou, aos 76 adquiriu uma empresa que só lhe trouxe prejuízo. Por mais experiente que fosse, não foi capaz de prever este fracasso e hoje administra uma grande dívida, na certeza de que irá superar e continuar sua tarefa nada fácil de arriscar sempre.

Por isso e porque acreditamos muito no lado bom de errar, de tentar crescer, mudar e fazer diferente para se andar pra frente, trouxemos aqui alguns dos principais produtos que fracassaram de algumas das maiores empresas do mundo, para mostrar que errar faz parte, não significa fim da linha e, no mínimo, você aprende para criar algo ainda maior e melhor que antes. Então vamos a lista.

Em 1957 a Ford lançou o Edsel, um modelo de carro que consumiu US $ 400 milhões da companhia e simplesmente não vendeu. Alguns especialistas culparam os executivos da Ford Motors por nunca realmente definirem o nicho do modelo no mercado automobilístico. Outros disseram que naquele momento os consumidores buscavam veículos menores e mais econômicos. O Edsel foi retirado do mercado três anos depois de seu lançamento, se tornou o case favorito de fracasso para Bill Gates e até mesmo o nome “Edsel” se tornou sinônimo de “falha de marketing”.

No início dos anos 80, a Coca-Cola estava perdendo terreno para a Pepsi nos EUA. Os comerciais da “Pepsi Challenge” foram em parte responsáveis ​​pelo surto da Pepsi em território americano. Em resposta, a Coca-Cola tentou criar um produto com um sabor mais parecido com a Pepsi. Embora a New Coke tenha se saído bem nos testes de sabor antes do lançamento em 1985, descobriu-se que eles eram enganosos. A Coca-Cola abandonou o produto depois de algumas semanas e voltou à antiga fórmula, dando o nome de Coca-Cola Classic.

Diz o ditado não só popular, mas também vulgar: “Errar é humano, continuar errando é burrice”, mas a Pepsi não deve conhecer. Em 1989, ela lançou um produto destinado a estimular o consumo de refrigerante ainda pela manhã. A Pepsi A.M, durou apenas um ano. Em 1992, a Pepsi tentou novamente, desta vez disfarçada de Crystal Pepsi, que morreu em 1993. E você acha que duas vezes foram suficiente? Não, a Crystal Pepsi retornou em 2016 e, claro, durou ainda menos. Será que eles finalmente entenderam que este produto não funciona e chega a ser grosseiro?

Lançado em 1993, o Newton PDA é lembrado como um exemplo dos velhos e maus tempos da Apple, muito antes da empresa se tornar a mais valiosa do mundo. Especialistas dizem que o Newton fracassou por conta da tela 8 por 4,5 polegadas, alto preço de venda, cerca de US $ 700 e, principalmente, por conta e sua função de reconhecimento de caligrafia, tão ruim que até a família “Simpsons” tirou sarro em um de seus episódios. Anos depois a Apple se redimiu e acabou transformando o mercado de tablets com o lançamento do iPad.

O Microsoft Bob, projeto gerenciado por Melinda, esposa de Bill Gates, nasceu para ser uma interface amigável para o Windows. No entanto, a companhia resolveu descontinuar Bob, apenas um ano depois de lançá-lo, em 1995, deixando muita gente sem saber o real motivo da decisão, embora soubessem as dificuldades de usabilidade. Alguns anos depois Gates disse que o software exigia mais desempenho do que um típico hardware de computador da época poderia oferecer e não havia um mercado suficientemente grande que valesse o investimento.

Em 2006 o canal esportivo ESPN resolveu lançar o Mobile ESPN. A ideia era vender um telefone que oferecesse conteúdo e vídeo exclusivos da ESPN, mas na data de lançamento eles tinham apenas um modelo de telefone e este custava muito caro para os padrões americanos, um aparelho da Sanyo de US $ 400. Resultado: ninguém comprou e a ESPN rapidamente desligou o serviço, deixando de comercializar o conteúdo para operadoras de internet móvel e, claro, com o crescimento dos smartphones tudo passou a ser ofertado gratuitamente.

Você se lembra do “Second Life”? Um mundo virtual que parecia um jogo, mas na verdade existia apenas para interações sociais? Ele ainda existe, alimentado por uma base de usuários super dedicada. Por alguma razão, o Google achou que tinha que competir com o “Second Life” e criou sua própria versão de mundo virtual em julho de 2008, o “Lively”. No entanto, nessa época as coisas não deram muito certo na economia e logo os sonhos se desvaneceram. O Google rapidamente retirou o plug apenas 4 meses depois de seu lançamento, em novembro de 2008.

O Facebook Home, lançado em 2013, foi a tentativa da empresa de lançar algo que pudesse se tornar a tela inicial do seu telefone em casa. Pensa comigo: o que acontece quando você não tem controle sobre o que aparece na tela inicial do seu telefone? Pois bem, em menos de um mês, o plano de assinatura caiu de US $ 99 para US $ 0,99. De uma forma geral, o Home funcionou apenas para os mais fanáticos usuários e como consequência o caso gerou uma grande reestruturação da empresa, que dispensou toda a equipe de engenheiros designada para o projeto.

E para fechar nossa relação, vamos de Amazon, hoje uma das maiores empresas do mundo. O Amazon Fire foi uma tentativa fracassada da empresa de abocanhar uma parcela do crescente mercado dos smartphones. Lançado em 2014, o fire foi descontinuado apenas um ano depois. Desenvolvido para Android, o Fire parecia bem competitivo, mas foi um fracasso crítico e comercial. O grande diferencial do produto era a tecnologia de digitalização de rostos 3D, que acabou sendo visto como truque. Depois dessa triste experiência, a Amazon se retirou completamente da fabricação de celulares com um prejuízo de US $ 170 milhões.

Daniel Lopes
Diretor Comercial | ZEEMER

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